O Que Devemos Trabalhar Nas Aulas De Educação Física Escolar?

Quando analisamos os PCN’s relativos ao ensino da educação física, vemos que os conteúdos ministrados nas aulas devem contemplar os esportes, jogos, lutas, ginásticas, atividades rítmicas e expressivas e conhecimentos sobre o corpo.

Porém, no decorrer do ano e em virtude das dificuldades encontradas diante de um conteúdo tão extenso e complexo, por várias vezes o professor pode se encontrar perdido.

Afinal, são tantas as abordagens referentes à nossa área, que é, na minha opinião, impossível padronizar o ensino da disciplina. Sem falar nas diferenças relativas às estruturas físicas com as quais nos deparamos pelo Brasil.

Em alguns locais, certamente, o conteúdo a ser ministrado fica comprometido.

Analisando este quadro, acredito que são muitas as dúvidas sobre o que ensinar na nossa nobre área. Não quero aqui deixar uma receita pronta, mas jogar uma luz para, quem sabe, ajudar os colegas.



Seguindo as orientações do PCN vemos que, mais importante do que simplesmente reproduzir os esportes com o treinamento excessivo de fundamentos, deve-se valorizar as experiências dos alunos, trazendo para dentro da escola suas vivências.

Lembremos que durante a vida escolar do aluno são 12 anos para serem trabalhados, de modo que é um longo tempo para se desenvolver o conteúdo.

Não devemos nos esquecer de que a Educação Física é uma área de conhecimento, está inserida no currículo escolar e, portanto, tem um objetivo pedagógico. Vemos que existem locais em que se trabalha unicamente com a perspectiva do lazer.

Fazendo isso, com certeza estaremos privando o aluno de vivenciar novas experiências. A Educação Física deveria garantir aos alunos o direito de conhecer mais profundamente os esportes, as danças, as lutas, as ginásticas, enfim, as práticas pertencentes ao universo corporal presentes em seu cotidiano.

Garantir o direito a esses aprendizados é um dever do professor e da escola, respeitar esses conhecimentos também.



Valorizando as manifestações da cultura corporal e apresentando as diversas experiências e vivências no universo da educação física, estaremos colaborando para uma aprendizagem significativa.

“Há que se ampliar o conteúdo da Educação Física de tal maneira que encampe os conhecimentos construídos pelas diferentes ciências sobre essas práticas’’

É citado Walter Bracht. Trata, então, de saber fazer e onde fazer.

Mas como funciona isso na prática?

Como exemplo, cito a tematização de um esporte, como o handebol. A partir dos conhecimentos dos alunos a respeito desta manifestação, podemos propor algumas atividades onde os alunos experimentem jogar de várias maneiras, adaptando os movimentos, o espaço, os materiais, incluindo as pessoas com deficiência.

Outra ação didática seria mediar algumas atividades onde os alunos descubram como o esporte surgiu, quem são os atletas, onde e por quem é praticado, enfim, a criança deve entender que essas manifestações são culturalmente construídas e constantemente modificadas de acordo com alguns interesses.

Vale lembrar que respeitar somente os conhecimentos dos alunos não significa tematizar somente sobre aquilo que eles conhecem.

Devemos ampliar esses conhecimentos e trazer para a escola tudo que diz respeito ao seu cotidiano.



A partir dessa perspectiva de educação, saem de cena as aulas “treinamento”, que excluem os não habilidosos, a descoberta de novos atletas, que excluem os deficientes e outros que não se encaixam nessa prática, e entram em cena todos aqueles alunos que tem o direito de vivenciar essas manifestações.

Isso não significa que a Educação Física deva se transformar em aulas “ditas” teóricas, mas sim, a partir das práticas, uma aula onde a satisfação de aprender e participar esteja presente através de atividades que levantem questionamentos, aprofundem o conhecimento, ressignifiquem a prática e ampliem as formas de ver, pensar e estar no mundo.

Fontes:

Ref http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro07.pdf.

http://portal.mec.gov.br/docman/dezembro-2010-pdf/...

Metodologia do ensino de educação física/ coletivo de autores. - São Paulo: Cortez, 1992.- (Coleção magistério. 2º grau. Série formação do professor)